AMOR À PRIMEIRA VISTA
por Lucilla- meridius@superig.com.br

"Uma leitora muito agradável me escreve mencionando, bem a propósito, acontecimentos relacionados com o tema que eu vinha elaborando com vistas ao próximo artigo: o chamado "amor à primeira vista". Sem querer quebrar a poesia e o encanto deste legendário emblema romântico de todos os tempos, em considerando o assunto, no entanto, sob as luzes dos esclarecimentos espiritualistas, a boa notícia é que, em verdade, estes "amores a primeira vista" poderiam tranquilamente ser renomeados como de "segunda", "terceira", ou mesmo de "décima" ou "centésima" vista. Explico-me.

Em primeira instância, e sem margem a dúvidas, as conhecidas empatias instantâneas, tão presentes volte e meia nas nossas vidas, obedecem, antes de tudo e sempre, ao poderoso mecanismo atuante nas leis governantes das energias individuais. Ao mecanismo infalível da atração entre os semelhantes: entre aqueles que se entendem sem palavras, e comungam emoções e pensamentos, muitas vezes, através de apenas um breve olhar - a chamada linguagem da alma.

Ora; deixando de lado o que foi mencionado em artigos anteriores acerca da atração entre as polaridades das almas gêmeas, as afinidades são sedimentadas, no decorrer da nossa jornada evolutiva, com a passagem dos séculos, e das alternâncias das vidas materiais com o contexto vivenciado na eternidade, nas paragens invisíveis, na companhia de seres com quem compartilhamos uma infinidade de experiências. É nesta conjuntura que se solidificam as concordâncias, discordâncias, a maneira semelhante ou dessemelhante de se vibrar espiritualmente, e considerar a vida de pontos de vista parecidos ou disparatados entre si. E esta herança é indelével; torna-se na "impressão digital espiritual": no distintivo único e nítido que nos atraí mais para umas do que para outras pessoas.

É justamente este fenômeno energético, portanto, que produz repetidamente, durante as reencarnações, os eventos pitorescos do "amor à primeira vista", dos "santos que cruzam ou não cruzam com os de fulano ou cicrano", a troco de nada, gratuitamente; os "vou" ou "não vou" com a cara deste ou daquele sem nenhuma razão plausível. São velhos conhecidos do passado se reencontrando e se reconhecendo entre si, no uso mais ou menos pleno da sensibilidade espiritual de que se disponha. E o conhecimento das razões, do que se esconde por detrás do que é aparentemente inexplicável, nos serve na hora da tomada de consciência de que o reencontro com as antipatias gratuitas, provávelmente, representa a nova chance de se transmutar as inimizades do passado, criadas apenas em função de diferenças, em promessas de boa vontade e compreensão mútua, no interesse de um futuro melhor e mais harmônico para todos os envolvidos. É como se fosse um convite intermediador para um "aperto de mãos" reconciliador.

Já a chegada do "amor à primeira vista" e "das simpatias instantâneas" significa sempre a nossa dádiva abençoada no transcurso das lutas e dificuldades diárias. Saibamos reconhecer em cada um destes reencontros uma nova "volta para casa": para aquele lar verdadeiro e afim à nossa essência; é a felicidade do encontro entre velhos e saudosos amigos; é o acréscimo de estímulo, proporcionado pelos vínculos amorosos responsáveis pela certeza de que nunca nos acharemos sós, porque a cada curva dos nossos caminhos infindos, haverá sempre alguém, um rosto risonho nos acolhendo de braços abertos, e se dispondo a nos acompanhar, compartilhando conosco o crescimento, as viscissitudes e as alegrias que nos esperam ao longo da trajetória eterna da vida.

Celebremos incansávelmente o amor e a amizade.

Com amor,
Lucilla e Caio Fábio, espírito
"Elysium" http://www.elysium.com.br