AO QUE NOS LEVA A INFLEXIBILIDADE...
por Lucilla- meridius@superig.com.br

Às brigas entre crianças, ainda aprendizes da cooperação, quando não cedem a vez na brincadeira em grupo.

À discórdia entre irmãos que disputam o afeto materno, como se fosse este objeto exclusivo de usufruto.

Ao desentendimento sério entre esposos indispostos a se compreenderem mutuamente nas devidas necessidades de convivência pacífica.

Às crises em grupos de trabalho de qualquer setor, empenhados, preferencialmente, na mesquinhez individualista e na estreiteza de vistas, enaltecedoras apenas da prevalecência de postulados questionáveis e de pruridos de autoridade, acima dos interesses de um resultado satisfatório e favorável ao aproveitamento útil de cada componente envolvido.

Aos deploráveis espetáculos de violência nos estádios de futebol, ao permitir-se que a vaidade, a agressividade e o orgulho obscureçam os autênticos e saudáveis propósitos da competição esportiva.

Aos intermináveis conflitos políticos imbuídos unicamente da ganância do poder institucional, e enrijecidos em expressões ideológicas tacanhas, camufladas em falsos idealismos sociais.

Às intolerâncias religiosas, pretensas detentoras da verdade única e absoluta, num Universo diariamente renovado, cambiante e criativo que - invariavelmente - põe por Terra qualquer laivo de vaidade no que concerne ao conhecimento dos mistérios divinos.

Às convulsões sociais, após demorado tempo em que a negligência calculada favoreceu o egoísmo materializado de poucos, sacrificando, inescrupulosa, as realidades das almas, mentes e corações de muitos.

Aos conflitos entre povos que se estigmatizam em função de meras idiossincrasias individuais, vitimados por um padrão evolutivo incipiente, e pautado por parâmetros excludentes, ainda profundamente ignorante das vantagens universais da soma harmoniosa das diferenças infindas e enriquecedoras do universo humano

Aos danos irreparáveis do meio-ambiente, quando vantagens econômicas pesam nas considerações dos homens acima do valor da Vida no planeta.

À ameaça do equilíbrio mundial - quando o supremo ser planetário, ainda e sempre, comprova às populações estarrecidas que, num universo onde cada minuto é um milagre inédito da Criação, não podem haver fórmulas absolutas e fossilizadas; porque, findo o seu prazo útil, descambam, inevitavelmente, para a decrepitude, cedendo lugar à renovação dos tempos, à revelia mesmo destas ilusórias e fugazes expressões do despotismo egocêntrico.

Caros leitores: antigos Impérios ruíram, e seus restos nos servem, ainda hoje, de supino alerta contra os desvarios da inflexibilidade. O Sol brilha soberano, todos os dias, sobre paisagens humanas forçosamente diferentes. Recordemos sempre de que não se pisa, nunca, duas vezes no mesmo rio - e percebamos a urgência de identificar as ações adequadas para cada acontecimento e situação, considerando-se devidamente a multidiversidade rica do espírito humano e dos cenários da vida.

Inflexibilidade, efetivamente, é mera ferramenta de aprendizado em dimensão com aparências fugazes de estabilidade, visando o burilamento dos nossos enganos. Responsabilidade é a sabedoria adquirida na lide evolutiva, visando a reação coerente e o acerto frente ao que cada minuto nos reserva, em prol do predomínio eqüânime da felicidade na Terra, nutrida, sobretudo, pelo amor profundo ao mundo e à Existência, e pelo inalterável respeito ao próximo."

O meu afeto a todos os leitores.
Caio Fábio Quinto,
por Lucilla

Elysium
http://www.elysium.com.br