A SENDA DO MÉDIUM - 5 - DA LINGUAGEM
por Lucilla- meridius@superig.com.br

"A linguagem no terreno da mediunidade é o instrumento de troca, de intercâmbio, não apenas entre o médium e os espíritos desencarnados, mas, como muitos deixam de perceber, também com quem se encontra aqui, na mesma esfera de existência corpórea momentânea.

É a linguagem da alma, do pensamento, que percorre eternidades instantaneamente. A que passa praticamente desapercebida das nossas realidades imediatas na matéria, por ainda constituir a vivência mais expressa de poucos, relativamente à totalidade dos povos em movimento sobre o orbe. Nada obstante, sempre se faz presente de maneira involuntária, e, na maior parte das vezes, tomada à conta de coincidências, e relegada rapidamente ao esquecimento, naquelas vezes em que alguém nos telefona justo quando o mentalizávamos; quando adiantamos em palavras o que um amigo presente pensava, sem ter este tido tempo de falar; quando, de uma cidade para outra, pressentimos a morte de um ente querido, antes que nos chegue a notícia da mesma...São muitos os exemplos.

No médium desenvolvido, este mecanismo de intercâmbio via pensamento acha-se exacerbado, principalmente nas modalidades mediúnicas avançadas da psicografia intuitiva ou inspirativa, mediante a influenciação pura da mente do intermediário reencarnado pelo espírito que lhe transmite a mensagem, que ele externa instantaneamente, sem a própria participação, ou com o mínimo de interferência, quando dos casos em que pinta com "cores próprias" o conteúdo do que lhe dita a Espiritualidade assistente.

Esta linguagem intuitiva nada mais é que a linguagem do futuro, que a todos nós está destinada nas esferas mais depuradas de vida, e na própria Terra, em futuro talvez não tão distante, de vez que todos somos médiuns mais ou menos conscientes desta capacidade inerente a todo ser humano tanto quanto as particularidades dos outros cinco sentidos. Para tanto que, no indivíduo menos consciente do intercâmbio com as energias que nos cercam, tais ocorrências se dão, para este, quase que num estado onírico, no qual ele não se dá conta suficiente dos fatores outros que estão contribuindo para que, vez por outra, ocorram os exemplos acima, - aparentemente destituídos de importância ou de significado, - da "transmissão do pensamento", ao se adivinhar, como acontece, quem nos está ligando, antes que atendamos ao telefone.

Para os que já possuem a faculdade desenvolvida, cresce o grau de responsabilidade, de vez que, com a chamada "terceira visão" praticamente descerrada, e em pleno florescimento, irá desfrutar da capacidade, por vezes incômoda, de ver às claras o que vai por detrás do mais inocente dos discursos que se lhe dirijam. A intenção se revela à descoberto por detrás das palavras pronunciadas, o mais das vezes, na mais completa ignorância de que alguém possa estar a desvendar o móbil verdadeiro que as determina. Se ao médium preparado que, ainda mesmo aqui, na vida corpórea, alguém profere a frase: - "não posso lhe emprestar um real porque não tenho" -, quando, na realidade, não empresta o um real por preguiça de procurar na carteira, sabendo que o tem na carteira, o que ocorrerá é que o sensitivo em questão, dotado da visão de dentro aberta, ouvirá, na verdade, o genuíno "não empresto porque não estou com paciência para procurar na minha carteira" - a verdadeira mensagem, em consonância com a autenticidade da intenção - e não o articulado falsamente pela fantasiada palavra oral.

É esta a única razão pela qual, nas paragens espirituais, após o instante rápido na vida física, o nosso destino está estritamente condicionado ao nosso estado íntimo. Porque, uma vez vivendo na intimidade real da nossa existência, no mundo das energias, torna-se impossível expressar-se algo que não seja rigorosamente o extrato de nós mesmos. Com o fim da vida material, extingue-se a possibilidade da dissimulação, usada com tanta e tão desapercebida freqüência no nosso "baile de máscaras" reencarnatório.

Assim que, uma vez desencarnados, na vida mais autêntica, e em acordo absoluto com o nosso estado evolutivo, as manifestações iluminadas do amor agrupam os verdadeiramente afins a esta expressão íntima, assim como, irresistivelmente, aqueles nos quais ainda prevalecem as sensações mórbidas dos ódios e das emoções deprimentes assim se revelarão inapelavelmente, sem subterfúgios, indo ter naquelas estâncias afins, energeticamente, a todos os que compactuam com estes padrões baixos de estado de espírito.

A linguagem da alma é, pois, indefectível, e é ela a nossa inconfundível impressão digital nas dimensões da eternidade, que nos irá situar, inapelavelmente, naquele setor da vida compatível, e de molde a nos acomodar no nosso "habitat", na atmosfera condizente com as nossas necessidades e cores internas, pela lei da atração entre os semelhantes, assim como, ainda por aqui, nos é dado atestar, diariamente, que poetas de gênio se afinizam para produzirem, irresistivelmente poesias; que os pessimistas de plantão acordam na condenação dos outros e de si próprios, por antecipação; e que os chacais jamais se sentirão à vontade na convivência dos animais marinhos.

Se ansiamos luz e harmonia, portanto, que a cultivemos primeiramente em nós mesmos, para que a nossa linguagem interna cristalina não nos venha, de futuro, a trair, na revelação impoluta da nossa própria essência. Porque não foi outro o sentido do sublime "Reino de Deus em nós", anunciado pelo Mestre Jesus - e a linguagem da alma será sempre, obediente a isto, o mais incorrupto Julgamento de nós mesmos!

Com amor,

Lucilla e Caio Fábio Quinto

"Elysium"

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