A SUTILEZA DA OBSESSÃO
por Lucilla- meridius@superig.com.br

"Não pela primeira vez, mas certamente em plena concordância, lemos por estes dias, no excelente "Cem Perguntas e Respostas Sobre A Mediunidade e o Espiritualismo", de Márcio de Carvalho, considerações acerca dos processos da obsessão, sobre os quais nunca é demais fazer referência.

Senti-me reconfortada com a leitura, ao recordar que por diversas vezes, nas suas mensagens transmitidas através da minha psicografia, o meu Mentor espiritual me alertou acerca disso com muita oportunidade. Porque, para o médium incauto, como para qualquer um que mantenha suas defesas fragilizadas, através do desequilíbrio do seu campo energético emocional, há sempre o risco da incidência dos dois processos de obsessão: o que permite a influência nociva de espíritos desencarnados que se nos vinculam em função de ódio, ou em razão do amor, mas na sua forma doentia.

Fala-se, amiúde, a respeito do primeiro tipo de processo obsessivo, talvez por ser o mais lesivo, porque as vibrações nefastas do ódio são sempre destrutivas e implacáveis nos seus efeitos. Mas, por outro lado, o outro processo é mais sutil, e talvez, em razão disso, mais perigoso, ao se revestir do álibi da afetividade prejudicial inconsciente, quando incorre em excessos que levam as pessoas a lançarem mão do apoio da espiritualidade como de muletas emocionais.

No decorrer dos anos, e do meu desenvolvimento mediúnico, eu mesma chegava a questionar do meu Mentor, naqueles momentos de maior fragilidade emocional, a razão dele não se manifestar mais positivamente. Naqueles instantes críticos do aprendizado material, sempre de forma efetiva ele concorreu com o seu aconselhamento oportuno e sábio, porém nunca excessivamente; sempre de modo a reforçar em mim mesma o reconhecimento dos meus próprios recursos, e da minha força íntima para resolver a contento os problemas. Alertava-me quanto a uma nuance ou outra das ocorrências, mas reiteradamente fez menção a este importante aspecto: mentores, guias, ou orientadores espirituais desencarnados, quando no exercício sábio da missão em que se empenham em nosso auxílio, de modo algum podem, ou devem funcionar à guisa de "muletas emocionais", que terminam por nos tolher as iniciativas e a segurança, na necessária tomada de consciência da nossa capacidade responsiva, no decurso do nosso aprendizado enriquecedor e catalizador dos nossos melhores potenciais.

O espírito desencarnado, bem intencionado talvez, mas desavisado nas suas atitudes, que se arvore em guia, mentor ou instrutor de qualquer reencarnado, dispondo-se, em função de afeto, amor ou simpatia, a responder a todas as perguntas, e a resolver as questões mais medíocres em importância para o seu protegido durante as vinte e quatro horas do dia, estará, antes, incorrendo nesta lastimável modalidade obsessiva, que tantos prejuízos provoca quanto aquela que prende dois seres em função de rancor, necessidade de desforra, e animosidade mútua. Porque tanto inibe no suposto "protegido" as suas chances de crescimento, por meio do desenvolvimento das próprias forças no uso do seu livre arbítrio, ao lidar com as experiências programadas para a sua reencarnação, quanto a si mesmo impede de ampliar suas vivências na esfera de vida mais rica onde agora se demora, e onde muito mais há para os seres além de simplesmente se "prenderem" na materialidade, a pretexto de suposto auxílio que se deseje prestar aos que ficaram para trás, após a sua transição.

Tal atitude, sub-reptíciamente, encobre necessidade de controle dos destinos alheios, ou, quando não, possessividade doentia daqueles do nosso círculo de afetividade, porque não logra, ainda, o entendimento vital de que, na descida às vivências na matéria, cada um de nós aqui aporta só; e sozinhos deixaremos também este plano, para a continuidade das vivências no Mundo Maior. Durante nosso estágio material, seguimos acompanhados - sim - mas inváriavelmente, também a sós no nosso poder de decisão, mesmo na hora de acatar ou rejeitar as influênciações alheias, derivando daí a razão maior de a ninguém podermos acusar ou julgar acerca do que nos acontece: porque tudo que nos acontece se origina das nossas escolhas, decisões, ou propensão a acatar esta ou aquela opinião oferecida com boa, indiferente, ou má intenção por parte daqueles que nos cercam.

Aprendamos, portanto, duas coisas vitais: a energia do ódio junge como ligas de aço os que a este sentimento pesado se abandonam voluntáriamente, em decorrência de fraqueza, ao se deixarem dominar por emoções negativas. Disso deriva que o desafeto alimentado imprudentemente no tempo que passa, muito provávelmente poderá se converter no "obsessor", encarnado ou desencarnado, de amanhã. E a energia do amor também liga prejudicialmente, a partir do instante em que não se proporciona ao alvo deste sentimento a liberdade necessária, no decurso da eternidade, para o preciso aprendizado, de dentro daquele contexto de vida único, cujas lições estão dirigidas exclusivamente para cada individualidade.

Imprescindível se torna, por conseguinte, permitir aos desencarnados que sigam o seu caminho, conservando a nossa liberdade plena de escolher e aprender com o nosso, em qualquer tempo. Amor que escraviza é tão prejudicial quanto qualquer modalidade de ódio. E se, a partir disso, como muito bem disse nosso Chico Xavier, o telefone tocar "de lá pra cá", quando os Mentores e Instrutores espirituais conscientes bem julguem adequado o momento para o conselho oportuno, agradeçamos a Jesus o acréscimo de misericórdia da Providência em nosso favor. Mas sempre mantendo presente a consciência de que, em assuntos de influência ou proteção espiritual, em acordo com as grandes Leis regentes dos destinos humanos, a nossa liberdade de escolha é soberana, e respeitada até mesmo pelos Maiores da Humanidade, conforme o foi, e tem sido até hoje, o Mestre Jesus.

Com amor,

Caio Fábio Quinto e Lucilla

"Elysium"

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