CRIANDO O MUNDO ATRAVÉS DA ESCOLHA
por Christina Nunes- meridius@superig.com.br

Por intermédio deste texto, pretendemos ilustrar que vida espiritual não é coisa atrelada exclusivamente ao capítulo seguinte ao momento de transição desta para outra esfera de vida e de consciência, como muitos supõe. Principalmente sob a ótica do contexto do que nos aguardará no depois, e que haverá de se delinear não como coisa muito diversa daquilo que elegemos para nós mesmos, a cada minuto das nossas vidas, mesmo enquanto reencarnados.

A maciça heterogeneidade dos perfis humanos presentes na experiência material nos empresta a recorrente ilusão de que, talvez, estejamos desalojados do nosso verdadeiro habitat. Mesmo nos meios espiritualistas muito se observa deste padrão de mentalidade e de posicionamento, perante as realidades contemporâneas da vida física; desejamos alertar aos amigos cônscios das verdades espirituais mais amplas para que não incorram nesta maneira enganosa de se considerar a experiência corpórea. Porque, nada obstante as aparências caóticas da hora que passa, onde populações espirituais comparecem em massa ao grande instante marcado para que elejam o teor do seu destino futuro, em tempos em que tudo aflora sob o jorro descomunal da luz reveladora dos arcanos misteriosos da vida - nada obstante este aspecto perturbador, tumultuado, presente nos cenários mundiais do século XXI, é fácil observar-se o modo como cada qual elege, conscientemente, via escolha, suas paisagens e realidades afins.

Refiro-me, sobretudo, a foro íntimo - não tanto às projeções, aos aspectos e rumos materializados, à luz do dia, em cada jornada individual, já que o orbe material, no que toca a este pormenor, é traiçoeiro para qualquer julgamento precipitado, uma vez que nem sempre o fazer e o aparentar refletem, necessariamente, a verdade interior de cada ser humano. Refiro-me a foro íntimo no que tange à verdade verdadeira de cada um. Àquilo que constituí a sua essência: as suas tendências, os seus pendores espirituais - porque, para tal, não existem disfarces definitivos nem duráveis.

Efetivamente, quem é afeito às nuances mais suaves, mais delicadas do universo da afetividade, não haverá de se afinizar com as expressões brutais da convivência. Quem é naturalmente avesso à violência não há de se sentir bem em ambientes onde grassam a agressividade gratuita e as vibrações desarmoniosas do espírito. Quem aprecia as manifestações humanas mais elevadas não se afiniza com as expressões do ódio e da desarmonia; quem abomina dissensões rejeitará, espontaneamente, ambientes onde impera a discórdia. Quem ama, por índole, a natureza, e o todo da majestosa Criação divina, jamais será visto às voltas com a caça indiscriminada e cruenta, com a dizimação de matas e de florestas, e, em última análise, com qualquer manifestação de desapreço ou de desrespeito à vida humana.

É, pois, desta feita que, desde a estadia nos palcos materiais do mundo, até a nossa continuidade pura e simples nas dimensões outras da vida do espírito, sem interregno, constrói-se, via afinidade e escolha, os panoramas diários do porvir. É assim que se expandem os horizontes para cada uma das nossas trajetórias, trilhadas no sem número de destinos no universo infinito, e, se de momento vivenciamos presenças, acontecimentos ou circunstâncias aparentemente anacrônicas para com o nosso perfil íntimo, apenas a nós mesmos cabe a responsabilidade pela criação daquele contexto particular no presente instante de nossa trajetória, segundo preferências e decisões tomadas, no passado, em função do nosso aprendizado, das necessidades de enriquecimento íntimo, e da maior conscientização de Deus.

Nunca, portanto, percamos de vista as nossas prioridades, em prol da nossa felicidade e do progresso conjunto. Se nos espantam, portanto, os cenários atuais do crime e do desajuste humano nos palcos da vida material terrestre, nos felicitemos, de um lado, porque naturalmente já atingimos um patamar no qual os nossos espíritos não mais se afinizam ou se compatibilizam com tais desajustes críticos e desarmônicos da alma; mas, por outro lado, aproveitemos a lição escolhida para reforçar o nosso anseio pela paz através de ações que a isso conduzam. Contribuamos, cotidianamente, para a paz em nosso ambiente circunvizinho, e na convivência com os circunstantes. Se exaltamos o amor como o elemento primordial a um mundo de felicidade, e já o experimentamos com autenticidade no imo de nossos espíritos, alegremo-nos por esta conquista efetiva adquirida, certamente, em episódios difíceis e valiosos do nosso passado evolutivo, condutor ao nosso despertamento para aquela sensibilidade mais excelsa inerente a cada ser humano - mas criemos também, na medida do possível, à nossa volta, esta aura de amor, por intermédio das emanações suaves das virtudes da tolerância, e da compreensão para com aqueles que nos cercam.

De nada nos adiantará sonhar um plano de venturas celestiais nos panoramas que nos aguardam para além do túmulo, se ainda não somos minimamente hábeis para contribuir para a sua realização aqui, no minuto corpóreo, porque então estes nossos sonhos se tornam em utopia - sem autenticidade, antes de tudo, em nós mesmos!

Nada há de se materializar na nossa realidade do lado de fora que já não exista do lado de dentro. Diz-se de mãos boas para o plantio, sob cujos cuidados as floradas perfumadas se fazem constantes, e de pessoas de cuja presença emana tal aura de amor e de bondade que espontaneamente se fazem queridas, atraem, cativam, e transmutam o ambiente onde estejam num oásis de paz, de serenidade e de bem aventurança. E isto nada tem a ver com um fazer puro e simples, baseado apenas em palavrório vazio, e destituído de verdade de intenções - nem com o verniz enganoso do que as posses transitórias sugerem, em meio às agitações do mundo denso.

Isto tem a ver com escolha, primeiro, e conseqüente criação de um mundo melhor. Com o ser antes, em si mesmo, este mundo melhor, e enfim realizá-lo, onde quer que se esteja: aqui, ou no ambiente dos lares, ou do trabalho profissional; no das Artes, do auxílio, ou do lazer; ou nas paragens para além da materialidade, que simplesmente continuarão se revelando, via escolha e sintonia, na continuação lógica e natural do nosso mundo interior, e daquilo que, a cada instante, criamos: - uma extensão próxima, pura e simples, de nós mesmos!

O meu afeto aos amigos leitores,
Caio Fábio Quinto,
pela psicografia de Christina Nunes