ESPIRITISMO SEM ESPÍRITOS
por Lucilla- meridius@superig.com.br

Há pouco, em outro artigo, comentávamos da necessidade de se exorcizar os fantasmas do preconceito que ainda se prendem ao tema mediunidade. Há que se acrescentar, sobre isso, o entendimento de que a atividade espírita pede renovação, a cada época de sua importante participação no despertar da consciência humana.

É importante ressaltar que não nos referimos a mudar o conteúdo da Doutrina codificada por Allan Kardec - até por pressupor-se em tal postura desmedida arrogância - mas, como consta no próprio ensinamento veiculado pela Espiritualidade, manter a Doutrina aberta às necessárias adaptações que se apresentam a par do gradativo avanço das mentalidades.

Vivemos num tempo em que homens e mulheres participam ativamente da gama generalizada de ação no contexto infinito da vida. Foi-se o período patriarcal do homem como o chefe de família e senhor das diretrizes domésticas, bem como o da mulher dependente e submissa, dedicada exclusivamente aos cuidados do lar. Ambos contribuem ativamente para a manutenção familiar nestes tempos difíceis; ambos movimentam-se em ritmo febril; ambos enfrentam os dilemas apresentados pela conduta nova desabrochando nos filhos adolescentes, obedientes a parâmetros inéditos.

E em meio a todo este cenário novo de preocupações e de ocupações, nem por isso a realidade mediúnica e espiritual desapareceu do nosso cotidiano. Ao contrário, seu perfil de manifestação sofisticou-se. Apresentou novas nuances. Descerrou universos mais vastos. Impossível, portanto, e partindo-se desta premissa, pretender desenvolvimento mediúnico atrelado a grupos e a horários rígidos, impossíveis de serem cumpridos por muitos, levando-se em conta o panorama diário das populações.

É coerente e necessária a aplicação do tratamento diversificado nas Casas espiritualistas, abrangendo desde a Evangelização até os tratamentos desobsessivos, num preparo indispensável dos aprendizes e leigos que trabalharão como os médiuns e colaboradores de amanhã - mas sem descartar-se a premência da flexibilidade! Há que se observar cada caso, como o dos médiuns ou trabalhadores prontos que se apresentam de boa vontade, compreendendo-se e acolhendo-se, com engenhosidade, a situação daqueles que - sim, por que não? - dispondo de desenvoltura na interação com a Espiritualidade assistente e com os guias, opera, no mais das vezes, em locais distintos das Instituições, ou mesmo no silêncio do seu santuário familiar, onde é orientado na recepção de mensagens valiosas ao enriquecimento espiritual do próximo.

Flexibilidade é a chave. Ou haverá risco sério de estagnação nesta área importante do esclarecimento humano: a atividade espírita e espiritualista acabará elitista, confinada à disposição de tempo de poucos - de aposentados, é verdade, bem dispostos, ou de jovens ainda não inseridos no contexto integral das responsabilidades árduas da vida - porém restringindo-se, com isso, indesejavelmente, o acesso a um trabalho de suma importância, e excluindo-se, por falta de visão e por preconceitos vinculados a um tempo onde o Espiritismo existia em outros cenários humanos já extintos, os participantes da hora que passa que - mais que qualquer coisa - assumiram compromisso anterior à presente reencarnação com o trabalho produtivo na seara da transmissão da Luz Maior às almas.

Não há Espiritismo sem espíritos, assim como é inadmissível o preparo de um bolo sem seus ingredientes. É utópico restringir-se a atuação dos médiuns a reuniões fechadas, já que mediunidade não é atributo exclusivo deste ou daquele; há médiuns que já nos surgem prontos! E esta mediunidade haverá de se manifestar à revelia destes grupos, aqui e ali; e, sem a necessária abertura para manifestar-se livremente, contando com o apoio importante da própria comunidade empenhada na transmissão das mensagens das outras esferas, encontrará, por si, outros caminhos, já que o apoio e amparo do invisível aos verdadeiramente desejosos de servirem como canais de luz ao mundo é incansável. Mais! E importante notar - este amparo prescinde de regras estabelecidas por Instituições nem sempre fiéis às diretrizes autênticas dos Amparadores, Mentores e Diretores espirituais que nos assistem das esferas mais elevadas da vida.

O estudo e exercício da atividade espiritual no mundo deve, sim, ser organizado, e exigente em termos de intenção, de preparo, e de conteúdo da parte de cada um dos seus participantes. Todavia, que se evite enrijecimento em idéias caducas que não mais se compatibilizam com os novos tempos. A vida no universo é livre, e obedece a Leis Maiores. Permitamos a expansão de nossa audição interna para sabermos ouvir, entender, e orientar nossos esforços a partir disso, sempre recorrendo à necessária flexibilidade íntima e à inspiração dos Instrutores do invisível para lidarmos com sabedoria com a multiplicidade infinita das realidades humanas dos tempos que passam.

Com amor,
Lucilla e Caio Fábio Quinto
Elysium
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