KARDECISMO E VIDA
por Lucilla- meridius@superig.com.br

"Estive conversando estes dias com um amigo acerca da postura espírita. Sobre a constatação muito verídica de que alguns confrades vêm se acomodando num posicionamento de crença pura e simples, sem os rigores da investigação dita “científica” – a segunda asa de qualquer vôo alçado pelo conhecimento humano, seja de qual área da vida for.

Uma pena, já que os fatos da fenomenologia mediúnica aí estão para nos servir sempre de base neste contexto, e tendo como certo que a Espiritualidade assistente, desde sempre, nunca nos nega suporte quando há sinceridade e empenho no caminho do auto conhecimento, e na iniciativa franca de disseminação das luzes do esclarecimento ao espírito humano. Como autora de obras psicografadas, sou testemunha viva disso. O espírita sincero nunca se viu desamparado de auxílio dos amigos das dimensões invisíveis durante a sua trajetória evolutiva nos círculos materiais. Se, portanto, o conhecimento espiritual estanca em determinados setores circunscritos – e bom seja somente nestes! – a ninguém e a nada pode-se culpar que não à acomodação particular deste ou daquele indivíduo ou agrupamento.

O curioso é que o espiritismo costuma, por vezes, criticar exatamente isto nas demais religiões: a fé cega, sem base investigativa. Deveríamos nos recordar sempre de que o conhecimento espiritual delegado a partir do advento da Codificação não nos foi destinado como privilégio de qualquer ordem para, a partir daí, eclodir numa acomodação confortável pura e simples, sem qualquer justificativa, detendo-nos a marcha evolutiva. O próprio Jesus afiançou que muito ainda faltava dizer no momento certo. O Kardecismo é um farol exuberante no caminho do ser humano, mas não, e de modo algum, a palavra final sobre os mistérios da existência. A evolução é contínua, e exige esforço e empenho de todos no processo de auto burilamento. Seu conteúdo, provindo das informações preciosas da Espiritualidade, é de uma veracidade limpa e transparente, atendendo sempre à nossa necessidade de orientação no pedregoso caminho das reencarnações expiatórias. Mas muito ainda nos falta aprender e crescer, sob a inspiração e orientação preciosas desta mesma Espiritualidade assistente, a quem, com toda certeza, causa preocupação e pesar esta atitude incompreensível de alguns, que, na invigilância, vem transformando a Doutrina em cláusula pétrea, não passível de complementação condizente com as necessidades progressivas dos tempos que correm.

A Doutrina de Kardec, manancial precioso de informações sobre as condições de existência que a todos aguardam, indistintamente, nas mais vastas dimensões da perenidade da vida, é sinônimo desta mesma Vida maior, não podendo jamais, a partir disso, ficar estanque na magnitude dos seus propósitos de transformação e renovação espiritual dos seres, a que se propõe.

Crer pura e simplesmente nos postulados do Espiritismo, como se a obra evolutiva em si, a partir disso, e confinada nisso, já estivesse acabada, é dar mostras de escassa compreensão daquilo que a própria Espiritualidade expôs, na medida em que fica claro, logo numa análise superficial da Doutrina, que a evolução humana é processo contínuo, rumo às maravilhas incógnitas a aguardar-nos das dimensões outras e mais purificadas da existência. O Kardecismo, desta forma, cobra de seus simpatizantes, adeptos e estudiosos, empenho, alegria e boa vontade, assumindo o trabalho de estações e de núcleos vivos de redistribuição, para a canalização de informações do mais além, e das energias passíveis de renovar a mentalidade humana para patamares superiores de compreensão, em relação a si próprios, ao próximo, e ao curso da vida, visando a unificação amorosa de todos no processo grandioso de Criação gradativamente mais consciente, nas engrenagens do Universo.

Não permitamos, assim, que a acomodação injustificada, com a cristalização de idéias que não acompanham o amadurecimento espiritual condizente com o avanço consciencial dos seres, invalide a pedra angular que o Espiritismo representa, desde a sua eclosão, até os nossos dias. Não percamos de vista a máxima de Jesus ao enunciar “a letra que mata e o espírito que vivifica”, para que, no futuro, não vejamos o esforço magnânimo da Espiritualidade converter-se na “letra morta” em que se tornaram tantas iniciativas religiosas, que não logram a capacidade de insuflar a renovação necessária no íntimo dos seres para os novos tempos que nos aguardam, tempos em que a continuidade da vida, regida pelas Leis da Reencarnação, virá a ser ponto comum, e acima de qualquer contestação e visão em contrário.

Com amor,

Lucilla e Caio Fábio Quinto

“Elysium”

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