MENSAGEM AOS QUE FICAM
por Lucilla- meridius@superig.com.br

"Falo em nome de muitos daqueles que deixaram, no plano físico, há um tempo maior ou menor, amigos e familiares ansiosos.

É fato que a transição de um para outro plano da vida se situe, durante mais algum tempo, no terreno fecundo da polêmica e dos debates, até que o alcance da consciência humana, avançando em compasso com a experimentação e análise dos fatos, no vasto e pouco explorado universo da diversidade das dimensões energéticas, atinja aquele ideal entendimento da continuidade indubitável da vida para todos, como verdade incontroversa, e tão natural quanto o rítmo espontâneo do suceder das estações.

Até lá, contudo, há que se nutrir profundo respeito e compreensão pelos que, em situação da transição dos entes queridos, deixam-se mobilizar pelas sensações pungentes da saudade e da perda.

Dirijo-lhes palavras em eco com muitos dos que, também aqui, se angustiam por calmar tempestades emocionais, e crises depressivas agudas, dos que porventura supõe na passagem da desencarnação um poço sem fundo para além da vida material, uma incógnita ameaçadora, a velar do zelo afetuoso dos que ficaram o paradeiro daqueles a quem a providência divina achou por bem requisitar para outros rumos de experiência e aprendizado.

Uma vez de posse da realidade insofismável, é desejo unânime de todos que aportam na vida mais verdadeira que, em algum momento, e de algum modo, alcancem oferecer aos que deixaram temporáriamente na materialidade as certezas incontestes da continuidade pura e simples que agora vivenciam; o reconforto de que a magnanimidade divina a ninguém desampara na hora crítica da desencarnação, assim como confia a braços amorosos todos os que dão entrada nas provas difíceis da matéria. Efetivamente, amigos bondosos e providenciais nos amparam na nossa chegada, tanto a uma quanto à outra dimensão de vida. E, de qualquer modo, todos aportam àquela paragem rigorosamente afim aos valores que nutriu no seu íntimo. Efetivamente, somos os mesmos, aqui quanto lá.

Torna-se, portanto, imprescindível a compreensão de que os que se retiraram do contexto das nossas lutas diárias não foram tão além da nossa realidade, e nem durante um tempo que muito difira daquele gasto por alguém que se ausenta para um outro país, para a vivência de tantas outras coisas necessárias e enriquecedoras do seu progresso. E o entendimento de que, se por agora as notícias não chegam desta outra e maior realidade, com a presteza que atenda à ansiedade saudosa dos que ficam, é que estes amigos e amores não pretendem, com uma proximidade excessiva e extemporânea, retardar a necessária conformação com os imperativos de uma das leis da vida que a todos colhe, mais cedo ou mais tarde, agravando, assim, padecimentos que a passagem do tempo tende a reconfortar e esclarecer.

A troca de realidades não apaga o tesouro incomparável dos afetos; por vezes, há que se seguir em frente por rumos diversos, que nos afastam temporáriamente dos que moram no recanto mais sagrado da nossa alma; mas a linguagem do sentimento percorre em segundos distâncias vertiginosas, assegurando-nos o eterno vínculo amoroso que garantirá a todos, sem dúvidas, as alegrias do reencontro, senão agora, um pouco mais amanhã.

O meu afeto a todos os leitores.

Caio Fábio, espírito, pela psicografia de Lucilla

"Elysium"

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