MUNDOS DENTRO DE MUNDOS - UMA REFLEXÃO SOBRE A LUCIDEZ
por Lucilla- meridius@superig.com.br

"("Ainda nem aprendemos a resolver com tranqüilidade os problemas do nosso mundo, nem a aceitar as diferenças existentes nele! Imagine se UFOS começarem, finalmente, a aparecer aos montes sobre as nossas cabeças!..." Comentário feito por um componente de um grupo, durante um debate sobre a possibilidade de que os UFOs existam dentro de uma faixa de percepção invisível aos nossos sentidos ordinários.)

Em arremate aos dois últimos artigos, "Sanidade Mental e Sanidade Real I e II", com base ainda naquela linha de pensamento, gostaria de explicar, afinal, o motivo pelo qual os grandes portais de percepção extra-sensória mais ampla são apenas gradativamente descerrados aos nossos sentidos internos e externos, assim como se progressivamente fôssemos deixando um ambiente dominado por densa nebulosidade para as claridades cristalinas da luz de um belo dia ensolarado.

Percepção aguçada é sinônimo de alcance de consciência e apuro de sensibilidade - não, não apenas em termos de capacidade extra-sensória - refiro-me, também, ao nosso cotidiano mais comum! E, nisso, inexorávelmente, todos colhem, rigorosamente, de seu próprio plantio. O que equivale a dizer que o conceito de lucidez e de saúde mental para a percepção e a definição da realidade que nos cerca obedece a inextricável relacionamento com as condições limitadoras das realidades vibratórias sucessivas que experienciamos ao longo das nossas vivências e conquistas evolutivas.

Sem embargo, não foi com outra conotação que Jesus proferiu o profundamente sábio "não julgueis para não serdes julgados". Ele sabia, certamente, da existência de "mundos dentro de mundos", mesmo enquanto ainda estagiamos por aqui, na faixa vibratória mais densa da vida corpórea. Explico-me.

Esta é, em essência, a grande razão de todo o entrechoque entre os seres situados nos mais diversos níveis de entendimento da vida, portando as mais disparatadas índoles, dentro da heterogeneidade maciça presente nos povos que habitam a Terra. E disso, deste atrito entre "mundos", representados por cada indivíduo, ou por agrupamento de indivíduos, observamos a realidade no próprio ambiente familiar e social que nos cerca mais de perto.

Efetivamente, de maneira quase diária, o próximo sempre nos surge meio "insano", "estranho", ou "inadequado", com suas idéias diferentes das nossas. E, no entanto, tudo se reporta à infinidade de modos contrastantes como cada qual percebe a vida.

Alguém não tolera a forma como outro se veste, e o critica, assombrado. Mais adiante, outro julga as idéias e a conduta profissional de um amigo ou conhecido um disparate; numa família, consanguíneos não conseguem se entender por causa das diferenças de visão em relação a trivialidades e questões menores, ao passo que, em escala mais generalizada, o traço de temperamento típico do povo de uma das cidades de um grande país origina repulsa ou empatia da parte das demais localidades, obedecendo, unicamente, aos imperativos das afinidades, que mais não são regidos do que pelas peculiaridades infinitas de percepção de vida inerentes a cada ser ou grupo, e assim em escala crescente, até aos grandes movimentos e fenômenos sociais que caracterizam a interação e a convivência entre os países.

A humanidade, assim, ainda luta por aprender eficientemente a arte de conviver harmoniosamente com simples diferenças, de modo que possa honrar a dignidade única de cada indivíduo e de cada agrupamento, em atitude de profundo respeito, e mantendo um equilíbrio delicado que não permita, jamais, o comprometimento da integridade e da felicidade do próximo em favorecimento às nossas visões multifacetadas e unilaterais da realidade.

Somente, portanto, quando refinarmos, em entendimento e em atitude, a nossa percepção e sensibilidade para a miríade sem fim de "realidades" outras, de outros "mundos", que habitam paralelos ou de permeio aos nossos, em cada ser humano ou raça, sabendo devotar-lhes o devido respeito - aquele mesmo que exigimos em relação à nossa postura perante a vida - transcendendo, desta forma, o hábito indesejável de estigmatizar, discriminar e condenar, arbitrariamente, aqueles que, por razões apenas circunstanciais, entendem a vida sob uma outra ótica, compatível com o seu histórico evolutivo único e insubstituível - e só então! - nos acharemos aptos e sintonizados, naturalmente, com as condições íntimas necessárias que nos proporcionarão aceitação, um estado de consciência e uma visão mais depurada, mais abrangente, das dimensões da Vida mais vasta e quintessenciada da exuberante Criação que nos cerca e que, qual Mãe sábia e compassiva, sempre se apresenta às nossas vistas sob as vestes que, por ora, nos achamos em situação de compreender.

Com amor,

Lucilla e Caio Fábio Quinto

"Elysium"

http://www.elysium.com.br