O RECONFORTO QUE O ESPIRITISMO TRAZ
por Lucilla- meridius@superig.com.br

"Faz poucos dias, visitei, a título de curiosidade, um site perdido no vasto oceano da internet, dedicado, ao que me pareceu, não a divulgar os aspectos favoráveis da religião que dizia defender, em benefício do esclarecimento do próximo; mas exclusivamente, a difamar e combater o espiritismo Kardecista, com argumentos pueris e frágeis na sua própria base, de vez que se utilizava de trechos da Codificação espírita habilmente destacados a esmo, fora de um contexto completo que lhes oferecesse base, para servir a interpretações descabidas e distorcidas de alguém claramente interessado não em exemplificar a religião verdadeira, que defende o respeito e a união entre os diferentes credos, para a harmonização de todos em Deus; mas em difundir escândalo e agressividade gratuita, provocadores de dissensões, que nada refletem senão o egoísmo dos que querem impor ao mundo as suas próprias idéias, e a maior desarmonia entre os seres, em última análise; o que em todo caso denuncia, logo de saída, flagrante contradição com os princípios mansos do Cristianismo, que o dito site supostamente apresentava como seu fundamento religioso.

Isto mencionado, não é meu interesse aqui deter-me mais do que o necessário no episódio, senão para tecer, a propósito, considerações acerca de valores intrínsecos nos diversos posicionamentos humanos.Há muitos anos, lembro-me de ter estado no enterro de meu falecido avô materno, e do comentário do funcionário que se achava nas cercanias da capela onde o velávamos. O homem se mostrou admirado de toda a calma que reinava na família do finado (toda ela kardecista), dizendo:- "Há pouco, saiu um enterro, e em poucas vezes pude presenciar tamanho desespero e gritaria; como seria bom que todos encarassem a morte com a tranquilidade de vocês!"Uma tia explicou-lhe que éramos espíritas; que detínhamos a pacífica certeza de que o nosso parente querido, homem de bem que sempre fora, certamente estaria sendo acolhido pela espiritualidade amiga que o receberia, e encaminharia para as novas experiências na continuidade da vida, nas esferas invisíveis. E que, em assim sendo, nada obstante a saudade natural que ele deixava, de modo algum nosso egoísmo deveria prevalecer no momento em que Deus achava apropriado o fim das experiências e das lutas do nosso ente querido na matéria, acolhendo-o na dimensão de vida mais rica que a todos nós aguarda, senão hoje, num amanhã mais ou menos afastado. Discorreu um pouco sobre as novas oportunidades de crescimento e melhorias que a todos estão destinadas nas vidas sucessivas, de feitio a justiçar os antes injustiçados, e o homem, depois de ouví-la, voltou aos seus afazeres, profundamente pensativo, e claramente bem impressionado com tudo que escutara.

Bem; é justo perguntar, em decorrência de capítulos como este durante as nossas vidas, por que tanto incomoda a alguns uma doutrina baseada, antes de tudo, na experiência dos fatos, oferecida pela própria espiritualidade, à mão cheia, para tantos que a ela dediquem sua atenção e o estudo sincero e desprovido de preconceitos; doutrina que tanto reconforto oferece, revelando explicações as mais lógicas já ofertadas por toda a corrente do pensamento humano, no tocante aos mistérios da questão da morte, que sempre e tanto inquietaram as populações que povoam todos os continentes; que inclusive não propõe nada insólito ou absolutamente desconhecido da arena religiosa no mundo, de vez que culturas muito mais antigas e portadoras de grande sabedoria já tratavam destes assuntos com naturalidade, como exemplificam até hoje o budismo e o hinduismo, ambas de base reencarnacionista. É de se questionar o incompreensível masoquismo de determinadas correntes resistentes ao uso pleno do raciocínio - dádiva divina preciosa concedida ao homem - na hora de preferir o pessimismo, o nada post mortem, atribuindo uma falta de objetivos absoluta para a Criação, que em nada se coaduna com a incomensurável sabedoria com que Deus trouxe à luz um universo tão equilibrado.

Tal atitude, esta sim, é que ocasiona o desconsolo nas criaturas, que acabam transferindo para si mesmas esta aparente incoerência, que as classifica como um fruto de um acaso absurdo, cuja finalidade na vida jamais ultrapassa a curta jornada atravessada neste pequeno planeta, sem direito a mais nada além do que se pode adquirir por aqui, em termos de compreensão e de conhecimento: em suma, sem nenhuma perspectiva de futuro, de melhoria, de crescimento em direção às luzes maiores da existência, enfim.

Reza-se que Deus está em toda a Sua Obra, e a razão mais simples nos sopra que, desta forma, Ele não poderia ser tão mesquinho nos seus objetivos. Nada na Sua Criação é imperfeito ou descartável, ou destituído de finalidade. E certamente, Ele ama suficientemente todas as Suas Criaturas para destiná-las a futuro mais glorioso e mais justo do que as frias paredes de um túmulo, após sessenta ou oitenta anos.A vida prossegue e se transforma sempre, queiramos ou não, possamos ou não aceitar ou crer.

E do mesmo modo como presenciamos o reflorir dos campos sempre, e a transformação da crisálida na linda borboleta, sem polêmicas e sem alardes da natureza, testemunharemos, ainda muitas vezes, no decorrer da eternidade, o nosso renascimento e transformação em paragens de vida melhores, para confirmarmos a unidade e a continuidade da nossa vida em Deus, apesar de todas as aparentes diferenças.

Com amor,

Lucilla e Caio Fábio Quinto

"Elysium"

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