OS ESPÍRITOS TAMBÉM BRINCAM...
por Lucilla- meridius@superig.com.br

"Há um tempo atrás meu mentor, Caio, através de uma mensagem psicografada, e em função de um desdobramento para fora do corpo físico em que o encontrei ocasionalmente sério, em razão do assunto que comigo tratava, ressaltou este fato: fazemos, muitas vezes, uma idéia errada da realidade dos espíritos desencarnados, que nada mais são do que "nós mesmos amanhã"...Isto porque, acerca do próprio Caio, - e com a memória temporariamente embotada, como acontece com todo aquele mergulhado nas vivências físicas - eu mesma incorria nesta idéia, de que talvez se tratasse de alguém altivo, grave, sério, durante a maior parte do tempo em que desempenha a nobre atividade de proteção e orientação da sua tutelada reencarnada.

Ele fez-me ver, sob uma ótica bastante lógica, que era ledo engano. Pois somos, sobretudo na vida invisível, o que fomos aqui. Se quando reencarnados portávamos um perfil de personalidade acentuadamente sério e reservado, tal característica, aí sim, pode nos acompanhar - até certa medida - ao nos transportarmos para a outra dimensão de vida. Ainda assim, tal dimensão nos colhe com tantas surpresas felizes, em muitos casos, que o natural é que soframos uma modificação natural e perceptível de disposição, ao nos livrarmos da soma extenuante de preocupações, e da tensão que nos oprimia durante o período reencarnatório.

De maneira que, se por aqui apreciávamos, a vida toda, o humor, as piadas saudáveis, o riso em companhia dos amigos e em família, as anedotas, certamente tal traço sadio de índole nos acompanhará (e mais acentuado, é bem possível, porque motivos nos sobrarão para a felicidade e o bom humor), na dimensão da vida mais vasta e mais rica, que a todos nós aguarda.

Meu mentor sempre foi para mim, durante o atual estágio corpóreo em que transito, a prova mais cabal disso. Dentro do quadro de manifestações mediúnicas possíveis para o nosso caso particular, sempre me sopra, via psicografia, e na medida em que se estreitaram, com o correr dos anos, os laços fluídicos afins que nos permitem trabalhar em parceria através da escrita, ditames refinadamente humorísticos. Às vezes percebo-o, nitidamente, com a visão da alma, rindo de mim, em situações em que eu mesma - forçoso é reconhecer - rio de mim mesma. Sinto-lhe a energia da presença inconfundível, transbordante de alegria e de afetividade. Certa vez, num sorteio de brindes em que foram distribuídas mais de mil senhas (nunca tive sorte em sorteios de brindes!) "sorteou-me" um livro, através da mão do executor do sorteio, no minuto exato em que mentalizei a ele um pedido para que, numa eventual brincadeira, fizesse meu número ser tirado daquela enorme urna. Lembro perfeitamente do diálogo "mental": - Você não vai ficar pensando que foi coincidência?"; ao que respondi um "não!", divertida. Após isso, mal se poderia contar até dez. Exatamente o número seguinte sorteado foi o meu, para meu espanto; e como se não bastasse, ganhei um lindo livro de poesias, no qual muitas delas (coincidências?! Jamais!!...) eram repletas de correspondências com aquilo que nos diz respeito mais de perto, no nosso repertório evolutivo juntos. Para não mencionar os girassóis - sempre! (que nos significam tanto, como bem o sabem os que conhecem a nossa história, descrita nas nossas obras psicografadas!) - o lindo campo de girassóis enfeitando a página final onde se lia, no início do poema: "Olhando para trás, no passado..."*

Num outro dia, desligou-se "sozinho" o televisor da sala, bem na hora em que iniciava, esquecendo-me de fazê-lo, o nosso culto do evangelho espírita no lar, às quartas-feiras. E ainda há pouco amanheceu nos meus cabelos um grampo que, sem nenhuma margem à dúvida, havia deixado sobre a cabeceira na noite anterior, antes de dormir. Entre tantos outros acontecimentos surpreendentes e embevecedores.

Quem não se acha familiarizado com os acontecimentos, supostamente insólitos, que envolvem a vida dos médiuns, pode porventura se chocar com estes relatos. E explicações múltiplas nascem da especulação para justificá-los. Para nós, no entanto, e no meu caso particular, a constatação é inequívoca: interagimos, a cada instante, com o mundo espiritual que nos rodeia; e tanto mais e tanto melhor se for em consciência plena da nossa parte, porque então conectamos o "fio condutor", que nos atrela e nos situa numa faixa vibratória mais saneada, entrando em ressonância, as nossas condições íntimas, com uma esfera da vida mais purificada, e facilitadora do trabalho desses nossos amigos, que se situam ao nosso lado, durante nosso estágio corpóreo, para nos auxiliar, apenas em função da mais linda demonstração de amor.

Caio tem me ensinado isso, a cada dia: a Espiritualidade também brinca; também ri; também ama - e em condições de manifestação muito melhores do que aquelas com as quais contamos por aqui, neste mundo de provas.

Não desprezemos este presente angelical que nos ofertam tão desprendidamente, antes, durante, e após a nossa rápida passagem pela matéria. Sejamos gratos, sobretudo, endereçando-lhes o nosso amor em resposta, e irradiando-o com felicidade renovada para a vida esplendorosa que nos cerca, com toda esta exuberância de Luz preciosa para os nossos espíritos

*"Poesias" de Willian Douglas

Com amor,

Lucilla e Caio Fabio Quinto

"Elysium"