O TELEFONE QUE CHAMA DE LÁ PRA CÁ...
por Lucilla- meridius@superig.com.br

No decorrer do desenvolvimento mediúnico desta que é a minha intermediária nos nossos trabalhos escritos, tive a preocupação de mantê-la sempre alerta para o que, muito apropriadamente, foi dito pelo grande mestre das lides espíritas em terras brasileiras, Francisco Cândido Xavier: em assuntos de intercâmbio mediúnico, o bom senso recomenda que se espere que o telefone chame de lá pra cá,, querendo isso significar que não se recomenda aos médiuns sérios em preparação a dependência incondicional da assistência espiritual, à guisa de verdadeiras muletas espirituais.

Há que se ter sempre em mente que, à semelhança de se aprender a andar de bicicleta, a evolução se dá, inapelavelmente, como conseqüência natural das vivências, que revelam em todos os mergulhados nas lides materiais fraquezas a serem trabalhadas, conceitos de vida necessitados de reformulação, lances que cobram valor e disposição à renovação íntima, em compasso com a originalidade sempre fresca das experiências de cada dia. E isso não se obtém por intermédio da interferência indiscriminada de um tipo de assistência dos habitantes da banda invisível da vida que em nada auxiliaria, em última análise, àqueles que a solicitam.

Muitas vezes, de maneira infeliz, o médium desavisado cria o vício de solicitar a orientação dos mentores desencarnados de maneira descoroçoada, a pretexto de qualquer futilidade corriqueira, esquecendo-se do fator de peso que mesmo os seus mentores se ocupam numa gama múltipla de atividades envolvendo outros setores que lhes reclamam participação ativa em favor da vida.

Mentores desencarnados têm como tarefa prioritária os seus tutelados, durante o vertiginoso período da sua experiência na matéria; mas não, e nunca, agindo à maneira mais própria dos obsessores: como uma sombra inarredável, opinando obrigatoriamente desde nas questões mais graves existentes no panorama da vida de seu assistido, até à escolha da roupa mais apropriada para comparecer à festa do vizinho.

Mentores desencarnados, efetivamente, auxiliam simultaneamente nos casos realmente graves que se multiplicam na crosta do orbe, de maneira diária: socorrem acidentados nas vias públicas; acalentam familiares mergulhados nas dores atrozes decorrentes de perdas acontecidas nestes, e em outros tantos casos; prestam auxílio espiritual imprescindível a doentes necessitados da preciosa, mas quase sempre ignorada intervenção médica, no âmbito fluídico, em hospitais e em clínicas pediátricas; auxiliam em dezenas de processos de desencarnação em curso de reencarnados do seu círculo de conhecimento, espalhados pelo mundo, e também daqueles que deixam a matéria atordoados pela transição violenta e traumática, nos casos de guerras, de catástrofes e de acidentes; reconfortam e orientam os que se acham imersos em dores morais críticas; previnem e evitam inúmeras tentativas de suicídio de almas em situação de desespero; intervém no socorro de outros tantos que sucumbem a tal impulso lastimável; inspiram os responsáveis pela administração das questões complicadas ligadas à miséria social e à violência...e n'outros e infindáveis misteres...

É, portanto, no mínimo demonstração de incipiência no conhecimento doutrinário do próprio Espiritismo supor que a Espiritualidade diretora dos rumos no mundo corpóreo, e a miríade infinita de servidores atuantes nesta vertente especialíssima de trabalho, se aplicariam a causar nos assistidos em aprendizado na matéria antes maiores males do que benefícios, ao se imbuírem em sanar todas as mínimas dúvidas sem importância, e interferir nas questões mais de molde a testar a maturidade íntima e comprovar o valor do próprio tutelado, no seu esforço evolutivo - quando, na verdade, sua função principal muito disso difere.

A assistência dos mentores, de maior relevância, de fato, quase sempre se dá praticamente no desconhecimento consciente daqueles aos quais amparamos daqui, do âmbito da vida extra-corpórea. Nos lances realmente graves, através de uma inspiração ou sugestão oportuna sobre a melhor forma de se encarar o problema; num lembrete oportuno dos recursos próprios individuais que estão sendo, por lapso, ignorados; no reforço da confiança dos nossos afeiçoados na sua própria capacidade íntima para a solução de todas as situações...E quando aconteça, então, qualquer intervenção mediúnica efetiva, sem nenhuma dúvida, normalmente somos nós que, em nos aproximando no momento correto, e de modo objetivo o suficiente para sermos notados e recebidos, apomos nossa mensagem escrita, nosso trabalho fluídico conjunto com os médiuns ou com os diretores das Casas Espíritas, e, em muitas situações, a nossa mais carinhosa colaboração...

Deixo com esta assertiva, ainda uma vez, um apelo aos médiuns, parceiros e intermediários sérios no trabalho espiritual, em favor de uma atuação sempre consciente, eficiente e madura da parte de cada companheiro de jornada evolutiva.

Em questões de mediunidade, por prudência, e como já lá bem dizia o nosso Chico, confiem que o telefone sempre há de tocar de lá pra cá, fielmente, quando se faça necessário. Estaremos presentes; em nenhum momento duvidem disso pois sempre, de alguma forma, lhes será dado saber e perceber, com total segurança.

O meu afeto a todos os leitores,
Caio Fábio Quinto,
pela psicografia de Lucilla

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