QUINTESSÊNCIA*
por Lucilla- meridius@superig.com.br

"Meus queridos leitores, há mais de vinte anos - comecei cedo, dentro ainda da adolescência - por amor da causa, e por inclinação natural, estudo e pesquiso sobre os grandes temas que conferem sentido à vida.

Durante todos estes anos, passei pelo conteúdo maduro e propiciador do ato da reflexão, legado pelo Kardecismo; pelas monografias rosacruzes; pela iniciação indiana nos métodos de meditação; por alguns ensinamentos da Fraternidade Branca; pelos estudos dos temas delicados do Zen-Budismo, do Sufismo, da Teosofia, e também pelo senso comum da moral Cristã.

Colhi flores luminosas de cada uma destas veredas, e as dúvidas emergentes devagar vão sendo esclarecidas, principalmente, com o auxílio da visão de dentro, e do amadurecimento paulatino, que somente a passagem do tempo nos confere, proporcionando que esta "visão" se aprofunde, em infinito processo de iluminação e de burilamento.

Com algumas coisas não concordava; mas entendia que, talvez, isto se devesse a uma falta de compreensão, devida mais a mim mesma, em chances iguais, talvez, de que o que soava como nota em falso realmente o fosse. Afinal, considero perfeito um dos mais sábios adágios, que declara que "o homem faz as religiões, e não as religiões fazem o homem".

E é em decorrência disso mesmo que hoje tenho como referência segura o ponto pacífico da "quintessência"; ela é bússola certeira. Presenteia-nos com o extrato do entendimento, se bem aguçarmos o nosso infalível "sexto sentido", ou linguagem do coração, ou a já citada "visão de dentro", se preferirem. Porque foi de dentro desta orientação que pude resolver a contento o dilema da constatação desconcertante de que estas "notas em falso" existiam em todas - repito! - todas aquelas vertentes percorridas pela minha trajetória de buscadora do verdadeiro sentido da Vida.

Mais que isto: não apenas notas em falso existiam, como um veio subterrâneo, em cada corrente do pensamento humano; mais ainda, nos vemos forçados à constatação perturbadora de que, de algum modo, volte e meia estas correntes se digladiam. Uma acusa a outra de incorrer culposamente em inverdades; acusam-se, e pretendem demonstrar as "faces negras" umas das outras. Então, chegando-se a este ponto, torna-se fácil a compreensão do porquê de tantos se cansarem no percurso disto que mais se assemelha a um manicômio, a um beco sem saída, se refugiando no ceticismo radical, ou na indolência para com estas questões vitais ao nosso progresso espiritual.

Menciono este fato para sugerir uma saída; um refrigério: um porto seguro, que nos resguarda de decepções. Apegue-se com a "quintessência": o ponto comum de convergência positiva, que reflete a Luz soberana presente em cada um destes caminhos tortuosos, porque é justo este ponto o cerne daquilo que será alcançado, no fim, por cada um, naquele ideal aparentemente utópico de harmonia e de paz na Terra. Tudo mais, as divergências, são fantasmas passageiros: espectros fugidios, refletindo as personalidades que buscam impor sua expressão transitória sobre aquilo que realmente importa.

Eis a convergência estampada em cada vertente que inutilmente se digladia sobre a face da Terra:

"Não fazei ao próximo aquilo que não queres para ti mesmo". Ou por outra: "Amai ao próximo como a ti mesmo, e a Deus sobre todas as coisas"

Deparei este Princípio Áureo fosse nos textos Kardecistas, Rosacrucianos, Budistas, Maometanos, ou Cristãos. Em filosofias provenientes dos povos os mais díspares do mundo.

Explica-se: é ele a "quintessência" em qualquer época, para atingirmos a felicidade. E é de admirar que, dispondo deste conhecimento sublime, os partidários desta ou daquela corrente de pensamento ainda percam tempo em conflitos e ofensas mútuas.

A humanidade precisa urgentemente de um refrigério, nesta época sombria da história, marcada por guerras e por ódios entre os povos. Apeguemo-nos à quintessência do Amor, por debaixo da infinidade de formas da sua expressão: ele é o nutriente supremo, comum ao melhor de todos os pensamentos e de todos os espíritos, e a todas as épocas. Antes que seja tarde demais. Antes que a humanidade, enfim, pereça, como flor estiolada, por escassez da dispensação do mais excelso dos sentimentos.

Com amor,

Lucilla e Caio Fábio Quinto

"Elysium"

http://www.elysium.com.br