VIDA ESPIRITUAL - NOSSA REALIDADE ÚLTIMA
por Lucilla- meridius@superig.com.br

"Estes dias, em relendo um dos meus livros favoritos de cabeceira, por se tratar este de uma espécie de maravilhoso código esclarecedor a todo médium e canalizador (o ótimo "Guias Espirituais", de Íris Belhayes, com Enid), me deparei com um trecho propiciador de um daqueles "insights", apenas devidamente assimilados após a segunda ou terceira leitura.

Íris comenta que "Na realidade, nunca deixamos o mundo espiritual, exceto em estados alterados (a reencarnação é um estado alterado - grifo nosso) , e então ficamos convencidos de que o estado alterado (a vida física pura e simples - grifo nosso) é real e de que o mundo espiritual, pensamos, é alcançado através desses estados alterados inferiores."(pág.109)

Se nos dispusermos a uma reflexão acurada, fácil será esta constatação. A vida espiritual é um "continuum". Dela não nos eximimos, não nos retiramos em nenhum momento, visto que constituí a nossa realidade última, o próprio cerne da nossa existência, e da própria consciência de quem somos, - do que "somos". O que ocorre é simplesmente um desvio crítico de "foco de atenção", no momento em que nos dispusemos a reencarnar para novas vivências, e resolução continuada de pendências deixadas alhures.

Estamos, numa comparação simplificada, tão habituados à convivência do nosso corpo, que na maior parte do tempo, por exemplo, não nos damos conta do nosso pé, ou do funcionamento do nosso coração. É como se caíssem numa "não existência" durante todo o período em que realizamos nossas atividades com o uso do corpo físico, sem prestar-lhe a devida atenção. E nem por isso, dado este alheamento de consciência do desempenho de cada órgão vital que nos constituí a integridade física, deixam de existir. É tudo questão de foco de consciência, de atenção dirigida.

Assim também acontece, portanto, em grau maior, no concernente ao contraste entre estas simples nuances temporárias da nossa existência. Continuamos, ininterruptamente, vivendo na essência mesma do nosso ser, que é a vida do espírito. Nossa abrangência de vida, em realidade, é muito maior, multidimensional. Uma vez reencarnados, com o concurso efetivo dos amigos da banda dita "invisível" da vida, para os padrões grosseiros dos nossos sentidos físicos, alinhamos nosso foco consciencial num determinado padrão de percepções, de molde a experienciarmos, predominantemente, os acontecimentos condizentes apenas a esta acanhada esfera carnal de sensações. No entanto, isto constituí mero e limitado capítulo no currículo vasto das nossas vivências; a nossa interatividade com a vida exuberante das outras dimensões é contínua, ininterrupta, tenhamos ou não disso a exata noção, confinados no minuto transitório da vida na matéria; e tanto mais fácil quanto mais nos coloquemos numa postura íntima receptiva e consciente desta realidade, mesmo enquanto ainda nos situemos aqui, dentro do condicionamento necessário à missão que vimos desempenhar na curta trajetória material.

É por isso que os ensinamentos espiritualistas mencionam que mediunidade, ou capacidade para canalizar, todos a possuem, em menor ou maior grau. Não diz isto respeito a um privilégio, a mero capricho voluntário, ou a surtos psíquicos doentios, pertinentes à acanhada classificação psicológica atrelada aos ainda limitados conceitos da ciência ortodoxa dos dias que correm. Interatividade interdimensional é vida intrínseca, no melhor das suas manifestações. É herança indelével de todo e qualquer ser que atinja, nas conquistas gradativas da sua sensibilidade íntima, o alcance de consciência necessário que o situe não mais apenas como um mero ser terreno, inteirado apenas dos enredos que o palco material do orbe tem a oferecer; mas, finalmente, como o ser cósmico, integrado na vasta riqueza do universo, conquistando o coroamento de todo o trajeto evolutivo que finalmente nos descerra nada menos que a eternidade, profusa das expressões infindas e feéricas de luzes, na comunhão permanente com os seres, no Mundo Maior.

Com amor,

Lucilla e Caio Fabio, espírito

"Elysium"

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